Relíquias. As do dia-a-dia. Sentidos. Os pulsantes. Luzes. Os excessos das sombras. É quase sempre de verdade, quase nunca por inteiro e, com sorte, com alguma sujeira final pra polir... Intentos. Os desde criança. Açúcares. Os que amarguem no final. Topos. Os de cume desconfortável. Vergonhas cantadas em coretos centrais, pintadas de nu pra parecer espontâneo. Colaborações. As de gosto, por favor!

sábado, junho 03, 2006

Depois de um dia de janelas fechadas e olhos úmidos


E pensar que você já havia me pedido pra fazer a coisa certa há tanto tempo...
Tudo tão claro o que deveríamos fazer. Não entendi.
Desculpe.


Hoje é dia de parênteses.
Um parêntese dos dias.
Uma lacuna em que me reservo ao não contato.
Ao não pronunciamento, eis meu direito.
Ao não falar sobre nada, em absoluto.
Não é discórdia, desavença, tristeza ou felicidade.
É o dia em que meus olhos vêm tudo à sua maneira e eu, por experiência, sei que é o dia em que estrago todas as coisas que toco.
Meu dia de Midas, que transforma em merda.

Hoje é meu dia de pause. Com o botão apertado, não toco em ninguém e evito um outro milênio de desacordos e indisposição.
Quando não se vai acrescentar, cala-se.
Só não me calei ainda, pois quero que saiba o que está acontecendo.
Só hoje, não tem a ver com nada.
Só hoje, ninguém tem culpa.
Só hoje e amanhã passa.
Só hoje e o resto é continuidade.
É uma trégua que me cedo, para não enlouquecer.
Um dia de fúria, de convulsão, de corrupção, de orgia, de luxúria, de gula, de amor, de pecado e redenção, de ego, de lixo existencial, de suicídio, de desperdício, de auto-estima de ostra, de televisão desligada, luz apagada, silêncio forçado, porta trancada, dinheiro rasgado, fotos no lixo, cabelo despenteado, domingo sem frio, tristeza do Jeca, dislexia verbo-sinaptico-comunicativa, desabafo, desacato,desalento, ultra-som, menstruação, hormônios, depressão, euforia, liberdade, submissão, contradições em pleonasmo, pulmões dilacerados, morte lenta e dolorosa, nascimento, exílio, remorso. Sem lágrimas.
Desculpe hoje é o meu dia.
Só hoje.

2 comentários:

Danilo Sanches disse...

faltou assinar... hehehe

Mas é isso mesmo.
Bom pra mim até reler... olhar no espelho sem pose de pavão.

Beatriz Galvão disse...

Com estas palavras-partos: parto.
Nasci.